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Sistema respiratório no idoso

Os idosos são mais suscetíveis a complicações causadas pelo repouso prolongado no leito durante a hospitalização. A principal causa de internações em idosos, em geral, é um conjunto de alterações do aparelho respiratório (LOYOLA, 2004).

Anatomicamente, nos pulmões há diminuição do diâmetro bronquiolar com aumento do diâmetro do ducto alveolar; mecanicamente, ocorre redução da elastância e aumento da complacência pulmonar; e ainda funcionalmente, o fechamento precoce das vias aéreas pode causar auto-peep e redução do fluxo expiratório. A parede torácica pode ser acometida de alterações estruturais que levam à deterioração de suas propriedades cinético-funcionais, como as artropatias costovertebrais, calcificações de cartilagens intercostais e deformidades, que resultam na redução da complacência da parede torácica, impondo assim, uma maior sobrecarga na musculatura respiratória, aumentando o seu trabalho (CHAN, 1998).

Nenhum estudo longitudinal relatado na literatura mostra mudanças existentes no sistema respiratório. No entanto, os estudos relatam que, com a idade, ocorrem mudanças na estrutura e na função. Entretanto, a capacidade pulmonar total nos idosos não declina com a idade ou declina bem devagar (CARPO, 1998). O declínio da complacência pulmonar com a idade não é fisiologicamente significativo (KNUDSON, 1981). A forma na mudança da parede da caixa torácica pode ser funcionalmente sem importância, mas a rigidez da parede da caixa com envelhecimento possui implicações (MITTMAN, 1965).

O idoso de 70 anos gasta 70% do trabalho elástico total na respiração e na parede pulmonar, comparado com os 40% gastos pelos indivíduos com 20 anos. Há um decréscimo da força dos músculos respiratórios e da resistência, relacionado à idade, de aproximadamente 20% por volta dos 70 anos (CHEN, 1989), podendo haver uma ampliação progressiva dos ductos alveolares e dos bronquíolos respiratórios. O efeito da ampliação das unidades respiratório-terminais é uma diminuição da área de superfície alveolar funcional em 15% na idade de 70 anos (CHEN, 1989), o que reduz a tensão da superfície alveolar, com efeito negativo, conseqüentemente, para a troca do gás alveolar e para o fluxo expiratório forçado (CARPO, 1998).

Kronenberg (1973) descreveu que as desvantagens mecânicas são modestas comparadas com o efeito impressionante da idade sobre o controle da respiração. Os indivíduos idosos têm uma resposta significativamente diminuída à hipóxia e à hipercapnia (PETERSON, 1992) atribuída ao volume total diminuído, desde que as taxas respiratórias sejam inalteradas. Além disso, Akiyama (1993) demonstrou que nas pessoas idosas a percepção da dispnéia é intacta ou mesmo realçada, mas a resposta compensatória é reduzida. Também, o volume residual aumenta consistentemente com a idade, mas as alterações mecânicas da caixa torácica mencionadas previamente esclarecem que a expiração é prolongada na maioria do tempo. O volume de fechamento aumenta linearmente com a idade, de 10% da capacidade de pulmão total na idade 20 anos a 30% na idade 70 anos.

Esse autor concluiu que o envelhecimento atenua a resposta compensatória ao carregamento fluxo inspiratório resistivo e aumenta a intensidade da dispnéia para um nível dado de PETCO2. O aumento do trabalho respiratório, como evidenciado pelo uso das musculaturas acessórias, ou pela presença de movimento paradoxal da caixa torácica e abdômen, pode ser o indicador de comprometimento pulmonar, levando à indicação de intervenção terapêutica. Estudos em pacientes idosos com infecção no trato respiratório inferior demonstraram o desenvolvimento elevado da freqüência respiratória e que a dispnéia e a taquipnéia estão quase sempre presentes no primeiro e segundo dia de internação, auxiliando o diagnóstico clínico (MCFADDEN, 1982).


Autora: Sandra Lisboa

Exercícios para facilitar o parto

À medida que exercita os músculos do pavimento pélvico vai aprender a controlar e mesmo relaxar os músculos vaginais, constituindo grande ajuda para o trabalho de parto e período expulsivo propriamente dito.

Previnem a incontinência urinária de stress, definida como perda involuntária de urina, muitas vezes na seqüência de acessos de tosse, espirros ou esforços físicos. Existem várias causas que contribuem para o compromisso da continência urinária, sendo uma das mais notáveis o parto, que pode resultar numa lesão neuromuscular esfincteriana do pavimento pélvico.

Exercício 1

Basta apertar os seus músculos pélvicos como se você parar o fluxo de urina. Tente manter por cinco segundos, por quatro ou cinco vezes. Depois tente manter os músculos contraídos durante 10 segundos, relaxando 10 segundos entre as contrações. Objetivo é realizar, pelo menos, três séries de 10 repetições por dia. Você pode fazer os exercícios em pé, sentada ou deitada.



Exercício 2

O alfaiate sentado trabalha os músculos das coxas e pélvis. Também melhora a postura, mantém as articulações pélvicas flexíveis e aumenta o fluxo sanguíneo para a região mais baixa do corpo.

Para praticar a posição, sente no chão com suas costas retas. Junte as plantas dos pés, puxe o calcanhar para sua virilha e suavemente relaxe os joelhos. Você vai se sentir um estiramento na sua face interna das coxas. Tente adequar a sessão a qualquer momento que você puder se sentar no chão.

Se for difícil sentar-se nesta posição, use uma parede de apoio à sua volta ou almofadas embaixo de cada coxa. Lembre-se de manter as costas retas.



Exercício 3

Alongamento dos músculos da parte inferior das costas pode ajudar a aliviar dores durante a gravidez e o parto.

Na posição de quatro, mantenha mãos e joelhos alinhados com os ombros e os quadris, e mantenha a cabeça relaxada. Contraia seu abdome, arredondando as costas ligeiramente. Mantenha a posição por alguns segundos. Então, relaxe o seu abdome e costas, mantendo as costas tão plana quanto possível. Repita várias vezes. Gradualmente trabalhos até 10 repetições.



Exercício 4

Inclinação pélvica

Você também pode alongar os músculos da parte inferior das costas, enquanto está em pé. Basta manter-se de pé com as costas contra a parede, seus pés alinhados e separados na largura dos ombros. Em seguida, empurre a parede com as suas costas, dobrando um pouco o joelho. Repita várias vezes.



Exercício 5

Cócoras

Cócoras durante o trabalho de parto - mesmo por curto período de tempo - ajuda a abrir a pélve e permite maior espaço para o seu bebê descer. Praticando o cócoras agora, irá facilitar a posição durante o trabalho de parto.

Pare com os pés separados ou uma largura um pouco maior que os ombros e mantenha seus dedos dos pés apontando pra frente. Desça lentamente, através da flexão dos quadris, joelhos e tornozelos. Mantenha seus calcanhares apoiados no chão. Pare quando chegar joelhos um ângulo de 90 graus. Se você não pode dobrar os joelhos a um ângulo de 90 graus, basta ir a um nível tão baixo como você pode. Depois retorne à posição inicial. Repita várias vezes, gradualmente até chegar em 10 repetições.



Exercício 6

Caminhe com a bola de ginástica

Para uma alongar a coluna ou ficar de cócoras, tente caminhar na parede com uma bola atrás de suas costas.

Pare e alongue com uma bola atrás de suas costas e contra a parede, mantendo seus pés separados, alinhados na distancia dos ombros.Deslize para baixo na parede até que você esteja em uma posição sentada e, em seguida, lentamente suba. Repita várias vezes, gradualmente até chegar em 10 repetições.



Autora: Renata Olah

Fisioterapia em pacientes mastectomizadas

O conceito de reabilitação está relacionado diretamente à qualidade de vida. Considerando-se a alta incidência do câncer de mama, a grande possibilidade de uma longa sobrevida e a desestruturação que o diagnóstico e tratamento do câncer de mama acarretam na vida da mulher, tem ocorrido uma maior demanda para se investir na qualidade de vida da paciente. Portanto qualquer procedimento cirúrgico seja curativo ou paliativo, está associado ao risco inerente de complicações, que serão os alvos do processo de reabilitação (prevenção e/ou recuperação).

A restauração completa da função deveria sempre ser o objetivo da reabilitação. Caso não for possível, a manutenção da capacidade funcional em sua extensão máxima permanece como objetivo. Os esforços da equipe de reabilitação muitas vezes podem retornar o paciente com câncer a uma vida ativa e produtiva. Estes objetivos da reabilitação devem ser adaptados a cada paciente e, se necessário, alterados de acordo com as mudanças das necessidades do paciente

Durante a terapia adjuvante e no seguimento, deve-se priorizar a prevenção e minimização das complicações, sejam elas linfáticas, posturais, funcionais e/ou respiratórias.

Para o controle dos sintomas álgicos, as pacientes devem realizar exercícios domiciliares, manobras ativas de relaxamento muscular e auto-massagem no local cirúrgico. A atividade física deve ser recomendada, sendo contra-indicado o uso do braço em movimentos rápidos e de repetição, assim como atividades com carga.

A atuação do fisioterapeuta deve ser iniciada no pré-operatório, objetivando conhecer as alterações pré-existentes e identificar os possíveis fatores de risco para as complicações pós-operatórias, e quando necessário, deve ser instituído tratamento fisioterapêutico nesta etapa, visando minimizar e prevenir as possíveis seqüelas. No pós-operatório imediato, objetiva-se identificar alterações neurológicas ocorridas durante o ato operatório, presença de sintomatologias álgicas, edema linfático precoce, e alterações na dinâmica respiratória.

Ao ser diagnosticada a doença, a mulher já desencadeia uma grande tensão reflexa na região cervical e ombros. Portanto, a avaliação pré-operatória é fundamental, pois estará ofertando ao terapeuta parâmetros para o acompanhamento no pós-operatório, além de conscientizar a paciente sobre a importância dos procedimentos fisioterapêuticos. Nesta etapa, o fisioterapeuta faz uma anamnese e busca toda a história clínica do paciente, para que possa ter uma maior compreensão do quadro clínico. Em seguida, realiza o exame físico através da avaliação da função pulmonar, avaliação funcional dos ombros e da cintura escapular e, respectivas amplitudes de movimentos e força muscular, como também mensura a perimetria e observa se existe alguma deformidade postural.

Os exercícios realizados nos programas de reabilitação física no pós-operatório de câncer de mama não seguem um guideline. Muitas propostas de reabilitação foram desenvolvidas para minimizar as complicações pós-operatórias, como o volume de secreção drenada, a incidência de seroma, de deiscência da ferida cirúrgica e, a longo prazo, o desenvolvimento de linfedema crônico.

Alguns estudos discutem a associação entre a realização dos exercícios com as possíveis complicações do pós-operatório; entretanto na literatura há descrições sucintas e particularizadas sobre a maneira de realização dos exercícios.

A fisioterapia precoce tem como objetivos prevenir complicações, promover adequada recuperação funcional e, conseqüentemente, propiciar melhor qualidade de vida às mulheres submetidas à cirurgia para tratamento de câncer de mama. Entretanto, questiona-se qual a melhor maneira de realizar esses exercícios e qual a sua influência nas complicações pós-operatórias.

Os programas de reabilitação no pós-cirúrgico das pacientes submetidas à mastectomia ou a tratamento conservador com dissecção axilar são parcialmente descritos na literatura do ponto de vista da especificação dos exercícios realizados. Existem programas estruturados em contrações isométricas da musculatura do ombro, braço e mão, nos quais a paciente é instruída a levantar, com as mãos unidas, em flexão, abdução e rotação do ombro até o limite de dor; em outros em que a paciente é estimulada a realizar exercícios ativo-livres em todos os movimentos fisiológicos do ombro.

Há, também, terapias em que são indicados os exercícios como subir com os dedos pela parede até o limite máximo de flexão e abdução, pentear os cabelos, fazer roda de ombro e rotação do braço, entre outros. Existem propostas baseadas em alongamento e fortalecimento, com exercícios rítmicos de cabeça, pescoço, tronco, membros superiores e inferiores. Outros programas consistem de exercícios pendulares, exercícios de escalada do braço na parede e polias.

Wingate descreve o tratamento incluindo exercícios ativo-assistidos progredindo para exercícios ativo-resistidos, facilitação neuromuscular proprioceptiva e atividades funcionais, além de orientações para casa.

Alguns autores defendem um protocolo de exercício baseado em movimentos naturais, acompanhados de música, para desenvolver flexibilidade, coordenação e amplitude de movimento do ombro.

No tratamento de câncer de mama existe certo consenso no que diz respeito à cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia; no entanto, na reabilitação física não existem trials comparando e tentando padronizar os programas de exercícios. Diante de várias propostas, têm-se a necessidade de homogeneização dos protocolos, para que sua reprodutibilidade seja possível, dentro de um serviço com vários fisioterapeutas ou em outros serviços, para que o atendimento possa ser otimizado, além de permitir a comparação dos resultados obtidos.

Os resultados do tratamento do linfedema com técnicas fisioterapêuticas como drenagem linfática manual, enfaixamento compressivo funcional, vestimentas elásticas, exercícios e orientações de autocuidados e automassagem, utilizadas para o tratamento do linfedema revelam-se como bons, melhores e mais rápidos do que outros métodos não invasivos para o tratamento do linfedema.

Contudo, diversos autores enfatizam que os bons resultados dependem do bom treinamento e cuidado do terapeuta e da colaboração do paciente após a fase intensiva de tratamento. Pesquisadores descrevem o resultado de uma série de casos constituídos de 16 braços linfedematosos tratados com técnicas descritas anteriormente. Obtiveram uma redução média de 73% na fase intensiva, depois de um ano, apresentaram uma redução de 80% sem nenhum outro tratamento e ainda descrevem, os mesmos autores, outra série de 56 pacientes que obtiveram uma redução medida edema de 63% na fase intensiva e, 3 anos após, a redução foi de 64%. Em outra série estudada pelos mesmos autores, a redução obtida com um mês de tratamento em 78 linfedemas unilateral de braços, foi de 64%. A redução dependeu do grau do linfedema e da colaboração do paciente. Após um ano, 44 pacientes foram reavaliados e não apresentaram redução significativa nesse tempo.

Estudos afirmam que o resultado do tratamento para o linfedema depende da colaboração da paciente, especialmente quanto ao uso de vestes compressivas reforçam que essa colaboração está relacionada ao esclarecimento que a paciente deve receber quanto aos motivos do uso da braçadeira e da importância do ajuste da mesma ao braço. Sugerem ainda que a braçadeira deva ser substituída a cada 2-6 meses para se manter a compressão adequada.

O uso da braçadeira elástica nas pacientes com linfedema deve ser encorajado, contudo não há consenso se essas braçadeiras precisam ser feitas sob medidas ou podem ser compradas nos tamanhos padronizados, bem como sobre o tanto de pressão que deva exercer sobre o braço. A recomendação tem variado entre três classes de compressão: 20-30mmHg; 30-40mmHg, e 40-50mmHg.

Atuação dos exercícios terapêuticos nas complicações pós-mastectomia.

Vários estudos que apresentam variações importantes na forma de aplicação dos exercícios. Existem propostas baseadas em exercícios ativo-livres e/ou ativo-assistidos pelo outro membro ou por polias (Ponce et al,1996).

Outros programas sugerem alongamentos e reabilitação funcional. Entretanto, não são descritos os protocolos completos de uma sessão de fisioterapia, ou seja, quais exercícios foram realizados, a duração e o número de repetições. Dessa forma, ao comparar os resultados obtidos em diversos estudos, surge a questão metodológica dos exercícios como um fator que dificulta a análise e a reprodutibilidade em outros serviços.

Procedendo-se à revisão da literatura, pode-se perceber que a questão da predisposição à formação de seroma quando os exercícios são realizados no pós-operatório imediato ainda é discutível. Existem estudos que sugerem que o início precoce dos exercícios de ombro levaria a um aumento na incidência de seroma e outros, mostram que, além do início tardio levar a uma menor formação de seroma, não há prejuízo à amplitude de movimento articular em longo prazo. Por outro lado, podem ser encontrados estudos que não observaram a associação entre início precoce dos exercícios e a maior incidência de seroma, sugerindo as vantagens do início precoce dos exercícios na recuperação física da mulher (Ponce et al,1996).

Como dor, diminuição de amplitude de movimento, deformidades teciduais e articulares, má postura e distúrbios respiratórios são as principais complicações que podem ocorrer no pós-operatório de mastectomia, analisando diversos protocolos podemos inferir alguns dados consensuais no combate às complicações pós-mastectomia:

1 – Dor e diminuição da Amplitude de movimento – Autores apontam a cinesioterapia como terapêutica mais importante, pois, ao mesmo tempo que trabalha estruturas osteotenomioarticulares em sua primeira função como no ganho de Amplitude de movimento (ADM), aumenta a circulação sanguínea e linfática, que no conjunto diminuirá a dor.

Desta forma utilizam a cinesioterapia com mobilização articular com alongamento global de ombro, cotovelo, punho e mão, exercícios passivos de flexão e abdução de ombro, evoluindo para ativo assistido e ativo livre, inclinação e lateralização de cabeça e pescoço, o alongamento de músculos cervicais, alongamento de ombro com cotovelo fletido, abdutores, adutores, pronadores e supinadores, e extensores e flexores de punho e mão, exercício de cadeia cinética fechada com bastão para flexores e extensores de cotovelo e ombro (gradativos), escada de dedos de frente e de lado e exercícios em pêndulo, circundação do ombro, exercícios de troca de marcha, alongamento do ombro enfaixado e apoiado em uma mesa.

Alguns autores indicam a aplicabilidade e importância da eletroterapia através da Eletroestimulação transcutânea TENS para controle da dor, podendo ser aplicada juntamente com a Crioterapia por 15 a 20 minutos, 2 a 3 vezes por dia.

2-Tratamento para as disfunções posturais – Consensualmente os autores de uma forma geral, afirmam que o treino de postura com retração da escapula e exercícios simples de postura, associados com abdução e adução de ombros são muito úteis, assim como a associação de equipamentos como a utilização de rolos e almofadas adequadamente para posicionar o membro homolateral a cirurgia desde o pós-operatório imediato.

Camargo & Marx (2000), passa a sugerir como evolução do tratamento exercícios mais globais que associam alongamento, força e resistência. Sugerindo ainda o uso de prótese de mama externa para evitar possíveis desvios posturais

Autor: Dr. Daniel Xavier
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Fisioterapia Manaus

Cefaléia cervical

Definição

Cefaléia significa "dor de cabeça", sendo uma sensação dolorosa percebida pelo paciente numa região que vai dos supercílios até a base de implantação dos cabelos na nuca.

As cefaléias podem ser classificadas em primárias, quando não está presente nenhuma outra doença subjacente, e secundárias, quando a dor existe como sintoma de outra condição. O diagnóstico das cefaléias é baseado na anamnese.

As cefaléias ao contrário do que comumente se acreditam, também podem ser originadas por distúrbios localizados fora do crânio, como sendo resultante do espasmo muscular. Estas alterações são captadas pelas terminações nervosas livres e levadas por via aferente até o corno posterior da medula. Estas dores causadas pelo falta de oxigenação do músculo que trabalha no sistema anaeróbico lático, interfere também na função da microcirculação e são tão intensas quanto às causadas pelos distúrbios intracranianos

As diferentes posturas podem ser causa da tensão excessiva no pescoço que se transforma em dor de cabeça. A posição bípede causa conseqüências, que vão desde afecções dolorosas até deformidades, como causa de uma perturbação do equilíbrio do corpo em relação corpo e plano de apoio, podendo causar patologias, e até associação de patologias.

A cefaléia resultante de lesões na coluna cervical é um tema pouco pesquisado e recente, reconhecida na literatura médica no inicio deste século. Após uma analise detalhada da cefaléia cervical verificou que existem três conhecidas causas.

Principais causas de cefaléias cervicais

Artrite Atlanto-axial

Tanto os tipos inflamatórios de artrite quanto degenerativos podem comprometer a região superior da coluna cervical e, assim, são capazes de produzir cefaléia. A artrite das articulações atlanto-occipitais ou atlantoaxiais pode atingir pacientes com artrite reumatóide ou espondiloartrite, e a osteoartrite pode comprometer as articulações laterais.

Os eventos inflamatórios produzidos pela artrite reumatóide, ocasionam alterações erosivas, levando à atenuação e afrouxamento do ligamento transverso, o que produz subluxação anterior da articulação atlanto-axial.

O diagnóstico de artrite é confirmado por radiografias adequadas da região atlanto-axial.

Neuropatia por compressão

A neuropatia por compressão que compromete os nervos occipitais está bem descrita. O nervo occipital maior é a ramificação medial primário posterior de C2. Ele pode ser comprimido, pois passa pelo músculo semi-espinhal da cabeça ou pelo trapézio, a cerca de 1 cm da linha medial. A seguir cruza a linha nucal com a artéria occipital e se distribui no couro cabeludo até a região frontal.

A causa de compressão do nervo occipital é, com freqüência, pós-traumática, mas também pode surgir sem história de trauma, presumivelmente devido à compressão durante sua passagem através dos músculos do pescoço.

A cefaléia resultante de neuropatia por compressão pode ser intensa e intermitente e quase sempre é descrita como uma dor que queima, pulsa ou perfura, irradiando-se do pescoço para a cabeça. Ocorre mais à noite, e pode estar associada à hiperalgia ou parestesias do couro cabeludo.

Os sintomas freqüentemente podem ser reproduzidos por pressão direta sobre o nervo, distalmente à linha nucal, ou pela postura da cabeça. Também é possível demonstrar distúrbios sensoriais do couro cabeludo.

Lesões musculotendineas

As lesões do ligamento musculotendíneo dos músculos cervicais com a linha nucal do crânio também podem provocar cefaléia. Uma das três causas seguintes pode estar presente:

Alteração da postura do paciente, que pode ser, ela mesma, resultado de lesão de hipomobilidade subjacente ou de espondilose cervical.

Estado de tensão, produzindo tensão muscular nos músculos do pescoço. A contração em longo prazo do músculo esquelético da coluna cervical, da face e do couro cabeludo, pode causar assim as chamadas cefaléias de tensão.

Os pacientes com essa causa podem queixar-se de dor no pescoço ou apenas na cabeça, mas via de regra, queixam-se de ambas simultaneamente.

Às vezes, a tendinite pode ser o único achado clinico, sem qualquer evidência dessas condições associadas.

A tendinite nessa área é evidenciada por hipersensibilidade à palpação. Os músculos do pescoço devem ser contraídos isometricamente para determinar se a dor é produzida, e a infiltração da área com anestésico local deve aliviar os sintomas do paciente, pelo menos temporariamente.

Espondilose cervical - a cefaléia resultante de espondilose cervical, causada por alterações degenerativas nos discos, vértebras e articulações apofisárias que levam a excrescências osteofiticas que reduzem o tamanho do forame intervertebral, e assim, podem comprometer as raizes nervosas.

É geralmente occipital e unilateral. Diz-se frequentemente que começa na nuca, se distribui para a região occipital e muitas vezes para a fronte e o olho. A dor é geralmente caracterizada como aborrecida e cansativa, ao invés de dor pulsátil ou explosiva, tão frequentemente alegada em cefaléias de origem vasculares ou cefaléias de pressão intracraniana aumentada.

Muitas vezes, existe relação com a postura e agravação por movimentos ativos e passivos da nuca.

Lesão de hipomobilidade da coluna superior - nesta afecção é a restrição da amplitude de movimentos intervertebrais passivos em uma ou mais das três vértebras cervicais superiores. Essa restrição pode atingir rotação, flexão, extensão ou inclinação lateral e geralmente está associada a espasmo e hipersensibilidade dos músculos cervicais superiores.

Todas as lesões à coluna cervical causam espasmo, lesão ou inflamação dos músculos eretores da espinha, bem como a conexão miofascial ao periósteo craniano. As raízes nervosas podem muito bem ser encarceradas no interior destes tecidos irritados. Isto esclareceria o beneficio derivado de calor, massagem tração, manipulação ou injeção nos tecidos incriminados.

A cefaléia irradiada das áreas cervicais inferiores, isto é, terceira, quarta e quinta vértebras cervicais, podem ser presumidas como se originando a partir das articulações posteriores (facetas) que irritam a divisão primária posterior, cuja distribuição final é para o occipital.

Áreas-gatilho nos músculos esternocleidomastóideo, esplênio, temporal, masseter ou trapézio podem irradiar a dor para áreas occipitais.

Sinais e Sintomas

Trata-se de uma manifestação clínica que se caracteriza por dor nos olhos (principalmente no fundo do olho), dor na nuca, na fronte, cansaço, enrijecimento nos ombros, tonturas e náuseas relacionadas á posição do pescoço (coluna cervical), déficit de movimento cervical ou torcicolos. Os sintomas podem se manifestar em conjunto, parcial ou isoladamente.
Geralmente está presente à dor na nuca. A dor, geralmente descrita como surda e persistente ou como sensação dolorida, é pior pela manhã, ao levantar, ou imediatamente após a primeira elevação da cabeça. Quando intensa, a dor, pode ser sentida também durante a noite, impedindo que o paciente mantenha a cabeça no travesseiro. A cefaléia geralmente melhora à medida que o dia passa, mas pode piorar com os movimentos bruscos ou não da cabeça e do pescoço.

Além da cefaléia e da dor no pescoço, outros sintomas podem estar presentes como resultado de lesão na coluna cervical. São eles vertigens, sintomas vagos, como indisposição geral, náusea, depressão ou sentimento de incerteza.

As crises álgicas podem ter duração de horas ou dias e estão relacionadas á tensão emocional variando conforme o "estado emocional da pessoa". Sua relação situa-se na manifestação inflamatória das raízes altas cervicais.
Incide com maior freqüência no desempenho de funções sentadas tais como digitação, dirigir automóveis, telefonistas, dentre outras. Sempre se manifestando em períodos de maior tensão emocional.

Diagnóstico

O diagnóstico correto da cefaléia originaria da coluna cervical pode ser feito em bases clinicas. As indicações provêem da historia do paciente e da descrição das características da cefaléia. Outros sintomas devem ser procurados, incluindo relações e influencia da postura e movimentos do pescoço, presença de rigidez no pescoço e influencia da vibração como a provocada por anda em veiculo automotivo. A historia de trauma no pescoço também deve ser levantada.

Os movimentos articulares passivos são testados, prestando-se especial atenção aos movimentos passivos na articulação intervertebral da região superior da coluna cervical. A lesão de hipomobilidade nessa área pode ser demonstrada pela restrição dolorosa desses movimentos, com reprodução da dor e da hipersensibilidade na articulação do lado da cefaléia. A palpação dos ligamentos dos músculos cervicais na linha nucal deve ser cuidadosamente realizada, com o pescoço do paciente relaxado. Freqüentemente isso é conseguido com mais facilidade fazendo-se o paciente sentar-se com a cabeça flexionada e apoiada nos braços, que são colocados sobre uma mesa. Em pacientes com neuropatia por compressão, a compressão do nervo occipital sobre a linha nucal deve produzir dor.

Um exame geral completo deve ser realizado, alem de radiografias da cabeça e do pescoço, hemograma completo e velocidade de hemossedimentação rotineira.

Características Semiológicas

Os seguintes itens fazem parte da anamnese nas cefaléias:

1) localização;
2) duração;
3) freqüência;
4) irradiação;
5) qualidade e caráter;
6) sintomas associados;
7) fatores predisponentes, agravantes e de alívio, incluindo medicamentos;
8) história pregressa, pessoal e familiar.

Ao exame físico, além do exame neurológico:

1) inspeção da cabeça e pescoço;
2) palpação dos músculos cervicais e cranianos e das artérias carótidas, temporais e seus ramos; 3) palpação dos nervos occipitais maiores, supra e infra-orbitários e das raízes cervicais;
4) exame das articulações têmporo-mandibulares;
5) pesquisa de anormalidades da sudorese, das pupilas e outras alterações autonômicas na cabeça e no tronco.

Testes Físicos

O teste físico será de extrema importância, os principais realizados são:

Teste de Valsava, que terá como objetivo localizar o local onde ocorre uma maior compressão intradiscal;

Teste de compressão e descompressão, este quando positivo cursará com dor aguda e observaremos o local exato da diminuição do espaço articular;

Teste da campainha, que irá ratificar o local lesionado;

Teste de Romberg Simples e Sensibilizado, onde poderemos observar o desequilíbrio estático do paciente e desconfiar de labirintite ou compressão vértebro-basilar;

Teste de Adson, onde ficaria evidente o comprometimento da artéria subclávia.

Os testes físicos não devem se deter apenas na região cervical, tendo em vista que muitas vezes a cervical é a área hipermóvel, sendo a região torácica a de hipomobilidade. Confirmando então que o quadro álgico pode não está no local da lesão.

Tratamento

As técnicas de tratamento fisioterapêutico terão como objetivo quebrar o ciclo de dor e tensão muscular usando técnicas fisioterápicas, massagem e exercícios isométricos breves para aumentar a circulação local.

Avaliar a flexibilidade e força dos músculos na região cervical, torácica alta e cintura escapular, e elaborar um programa de exercícios para recuperar o equilíbrio entre comprimento e força no preparo para correção e treino da postura.

Orientar o paciente sobre as técnicas próprias para aliviar ou tratar a fonte de irritação; pois se existe má postura, ensine correção postural e meios para manejar a postura; se a pessoa está em uma situação produtora de tensão, ensine algumas técnicas de relaxamento, técnicas de amplitude de movimentos e isométricos, e mecânica de coluna apropriada.

O tratamento das cefaléias de origem cervical varia também de acordo com a lesão subjacente do pescoço.

As lesões de hipomobilidade na região superior da coluna cervical respondem bem à mobilização e, ocasionalmente, às técnicas de manipulação; um alivio substancial pode ser esperado depois de poucas sessões de tratamento, mesmo quando os sintomas estão presentes há bastante tempo. A tração pode ser necessária nos pacientes que não respondem. O alivio da dor também pode ser obtido com o uso de colares, principalmente à noite, para aliviar a dor matinal típica. Os exercícios não desempenham nenhum papel no tratamento da cefaléia propriamente dita, mas os exercícios isométricos podem ser realizados depois das técnicas de terapia manual.

Em pacientes com cefaléia associada a artrite das articulações cervicais superiores, a conduta deve ser o uso de colar e um tratamento médico geral. Ocasionalmente, esses indivíduos podem beneficiar-se com injeções de anestésico local e corticosteróide na região dolorosa, e a cefaléia pode ser aliviada com a cirurgia. A tração e os exercícios são
contra-indicados.

As cefaléias provocadas por neuropatia de compressão do nervo occipital devem ser tratadas, num primeiro momento, com repouso, colar e injeções ao longo do curso da compressão do nervo nos músculos cervicais superiores. Às vezes, as técnicas de mobilização podem ajudar a obter alivio temporário.

Entretanto, se essas medidas não tiverem êxito ou se o problema for recorrente, a cirurgia com divisão dos nervos é indicada.

Nos pacientes com lesões da inserção, o melhor tratamento é a injeção de anestésico local e corticosteróide na região dolorosa; podem ser repetidas periodicamente, conforme necessário. As técnicas de terapia manual são indicadas nos casos em que há lesões associadas que provocam hipomobilidade da coluna cervical e podem ser combinadas com injeções. Ás vezes é necessário o uso de colar para aliviar a dor.

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